quarta-feira, 15 de maio de 2013

As mulheres na ciência


Exatas não é só para homens: mais mulheres que se destacaram na física e na matemática 






O acesso à Universidade foi por muitos séculos negado às mulheres. E mesmo após a permissão para estudar em tais instituições, as mulheres sofreram muita discriminação, falta de apoio e de incentivo financeiro para realizarem suas pesquisas, apenas por causa do seu gênero. Um historiador dessa época escreveu que "entregar nossa universidades para a invasão das mulheres. . . é uma vergonhosa demonstração de fraqueza moral." Na Universidade de Erlangen, o Senado Acadêmico, em 1898, declarou que a admissão de mulheres estudantes é "derrubar toda a ordem acadêmica."
A situação das mulheres que optam pela área de exatas é mais complicada, visto que esse campo é até hoje visto como uma área masculina. A ciência exatas exige que a pessoa tenha um bom raciocínio lógico e abstrato, e a nossa sociedade ainda insiste em atribuir tais características exclusivamente ao gênero masculino.
Porém, tivemos mulheres que deixaram contribuições fundamentais para a física, matemática e a astronomia. Muitas delas, nós nunca ouvimos falar. Da fissão nuclear ao hidrogênio nas estrelas, hoje iremos falar sobre essas mulheres.

1-    Cecilia Payne-Gaposchkin

Cecília Payne-Gaposchkin foi uma astrônoma extraordinária. Nasceu em maio de 1900, em Wendover, Inglaterra, em uma família de intelectuais. Em 1919, um ano após o término da Primeira Guerra, ganhou uma bolsa para estudar botânica no Newnham College (Cambridge). porém, seu grande interesse por física e astronomia fez com que ela mudasse de área. Essa mudança foi decisiva para a vida acadêmica de Cecília.
Iniciou seus estudos de doutotado em Harvard justamente no ano em que o astrônomo Harlow Shapley inaugurou o curso de astronomia nesta Universidade. Cecília foi a primeira aluna de astronomia de Harvard. Com apenas 25 anos de idade, Payne-Gaposchkin concluiu a sua tese de doutorado intitulada “Atmosfera e estrelas, uma contribuição para o estudo da observação da altas temperaturas nas camadas revertidas de estrelas”. Sua tese foi descrita por Otto Struve, diretor do observatório de Yerkes como “a tese de doutorado mais brilhante já escrita em astronomia”. Nessa tese, Gaposchin descreve que os componentes mais abundantes das estrelas são o hidrogênio e o hélio.
Apesar de brilhante, Cecília foi obrigada a escrever em sua tese que os seus resultados poderiam estar errados. Quatro anos depois, o professor Russel (Princeton) publicou um artigo no qual descreveu que o sol é composto majoritariamente por hidrogênio.
Payne-Gaposchkin foi uma astrônoma extraordinária, porém seu grandioso trabalho foi desvalorizado e até mesmo esquecido. Foi contratada para trabalhar apenas como assistente, sendo que somente em 1956 foi nomeada como professora, tornando-se a primeira mulher a lecionar em Harvard.

A recompensa do jovem cientista é a emoção de ser a primeira pessoa na história do mundo a considerar algo ou a entender algo. Nada se pode comparar a essa experiência… a recompensa do cientista mais velho é o sentimento de transformar um vago esboço numa paisagem principal.
—Cecilia Payne-Gaposchkin




2-    Lise Meitner

Lise Meitner nasceu Viena em 1878. Durante a sua infância, cresceu em uma atmosfera intelectual estimulada pelos seus pais. Porém, quando terminou seus estudos primários com 14 anos não pode seguir adiante logo em seguida, já que naquela época em Viena, mulheres eram proibídas de frequentar a Universidade e as escolas secundárias. A partir de então, ela deveria se dedicar a uma atividade que fosse permitida as mulheres de sua época. Passou então a dar aulas de francês, algo que nunca foi do interesse profissional dela. Em um dos registros deixados por ela, Lise fala que apesar do seu interesse por física e matemática, ela não começou a estudar essas matérias cedo e que “olhando pra trás... pros tempos da minha juventude, percebe-se com espanto, que existiam alguns problemas na vida de jovens garotas que hoje em dia são inimagináveis”. Dentre esses problemas, Lise cita como sendo o principal, a falta de acesso aos estudos superiores.
Somente em 1899, com o apoio e incentivo de seus pais, Meitner começou a ter aulas das matérias ensinadas na escola secundária. Assim, dois anos mais tarde, pode frequentar as aulas na Universidade de Viena, quando já tinha 23 anos. Teve aulas com o físico Ludwig Boltzmann, considerado o fundador da mecânica estática. Segundo Lise, Boltzmann a deu a ela “a visão da física como uma batalha pela verdade, uma visão que nunca perdi”. Obteve seu título de doutora em 1906, ao defender a tese intitulada “Condução de Calor em Corpos Heterogêneos”, na qual mostrou que a fórmula de Maxwell usada para a condução de eletrecidade em um sólido homogêneo também se aplica a condução do calor.
Em 1907, Meitner se mudou para Berlin para estudar na Universidade Max Planck. Lá conheceu o químico Otto Hahan, com quem veio a trabalhar em colaboração por 30 anos. Inciaram seus trabalhos examinado as reações alfa, beta, e gama. Porém,no início dessa colaboração, não eram permitidos mulheres no Instituto de Química, o que fez com que a cientista tivesse que trabalhar em um porão acessível ao Instituto de Química por uma entrada separada. Essa restrição acabou dois anos mais tarde, o que não significa que as coisas ficaram muito mais fáceis para Lise.
Apesar de sua parceria com Otto ter sido muito produtiva, enquanto ele tornava-se um membro destacado do Departamento de Química, ela ainda continuava a sombra. Somente em 1912 começa a receber uma pequena bolsa para financiar o seu trabalho. Essa bolsa foi solicitada por Max Planck, com o qual passou a trabalhar como assistente.
Em 1917, Maitner e Hahn começaram a trabalhar no Instituto Kaiser Wilhelm. Enquanto ele foi contratado para a direção de um departamento para investigação em radioatividade, Lise foi contratada apenas como convidada. Aqui já podemos observar claramente que mesmo Lise e Hahn encontrando-se no mesmo nível profissional (ambos eram doutores e já possuíam importantes artigos na área) o tratamento dispensado a eles era muito diferente. Somente anos mais tarde que ela passou para a posição de “Scientific associate”, uma posição mais alta que a anterior e melhor remunerada.
Em 1922, Lise passou a dar aulas no Departamento de Física da Universidade de Berlim. Antes de começar a dar aulas, teve que fazer uma apresentação Universitária inaugural público, como era a tradição desta instituição. Porém, por ser mulher, o fato virou notícia, tendo o jornal local publicado o tema: “o significado da radioatividade em física cosmética”. É lógico que o trabalho de Lise não tinha nada de “física cosmética” (o que quer que isso signifique).
Em decorrência da qualidade do seu trabalho recebeu a medalha de prata no Prêmio Leibniz Prize da Academia de Ciências de Berlim e o Lieben da Academia de Ciências de Viena. Seu prestígio serviu de inspiração para que mais meninas na época, se interessassem a seguir a carreira de física. Trabalhando juntos, Meitner e Hahn descobriram em 1918, o elemento protoactínio.Mas o trabalho mais importante de Lise Meitner foi a descoberta da fissão nuclear.
A física nuclear era um ramo que estava em expansão. No ano de 1934, o físico Enrico Fermi havia produzido isótopos radioativos bombardeando núcleos com nêutrons. Porém, como o resultado eram muitas espécies de núcleos, levantou-se a hipótese que algum desses isótopos seriam elementos transurânicos (número atômico maior que 92). Ao saber desses resultados, Meitner convenceu Hahn e seu assistente Fritz Strassmann a trabalharem juntos em um novo projeto cujo objetivo visava verificar se isso era possível.
Porém, a crise econômica e os rumos da Alemanha também serviriam como um obstáculo para o trabalho de Lise. Por ser de origem judia, apesar de ter se tornado protestante muitos anos antes, Lise havia sido proibida de dar aula em Berlim em 1933. Em 1938, quando a Áustria foi anexada a Alemanha, Lise perdeu a proteção da nacionalidade e se viu obrigada a se refugiar na Suécia, onde continuou seu trabalho no Instituto Manne Siegbahn em Estocolmo.
No Instituto Nanne Siegbahn, o auxílio financeiro que obtinha para realizar suas pesquisas eram muito baixos, e para piorar a situação, Lise trabalhava sem colaboração. Sua biógrafa conta que “sem ser convidada a se juntar ao grupo de Siegbahn, nem receber recursos para fazer sua própria pesquisa, tinham-lhe cedido apenas um espaço para montar um laboratório, mas ela não tinha colaboradores, equipamentos ou suporte técnico, nem mesmo seu próprio molho de chaves..”. Essa dificuldade foram em parte devido ao preconceito de Siegbahn contra mulheres cientistas.
Enquanto isso, Hahn, com a colaboração do químico Fritz Strassmann, continuou os estudos com os transurânicos. Ao realizarem mais alguns novos experimentos (algum deles realizados por indicação de Lise Meitner) com um produto do urânio que eles pensavam que fosse um isótopo do elemento rádio (Z = 88), verificaram que na verdade, se tratava de bário (Z = 56). Ao ler o trabalho escrito por Hahn, Meitner e Otto Frisch (sobrinho de Lise) interpretaram esse fenômeno, dando o nome de fissão nuclear. O trabalho foi publicado na revista Nature, onde estão transcritos alguns trechos:

..."A primeira vista, este resultado [de Hahn e Strassmann] parece difícil de entender. A formação de elementos bem abaixo do urânio fora considerada anteriormente, mas sempre foi rejeitada por razões físicas, na medida em que a evidência química não era totalmente clara. A [suposição] emissão, num curto período de tempo, de um grande número de partículas carregadas pode ser descartada pela pequena penetrabilidade da `barreira coulombiana', como sugerido pela teoria do decaimento alfa, de Gamow.
...Por conta de sua densidade saturada e forte energia de troca, espera-se que partículas em um núcleo pesado se movam de forma coletiva com alguma semelhança com o movimento de uma gota líquida. Se o movimento se tornar suficientemente violento, pela adição de energia, tal gota poderia se dividir em duas gotas menores.
...Parece, portanto, possível que o núcleo de urânio tenha pequena estabilidade de forma, e que possa, após capturar um nêutron, dividir-se em dois núcleos de tamanhos aproximadamente iguais (...) Esses dois núcleos se repelião e ganharão uma energia de cerca de 200 MeV, como calculado pelo raio e carga nucleares (...) Todo o processo de cisão pode ser descrito de forma essencialmente clássica, sem ter que considerar o `efeito túnel' da mecânica quântica, que seria extremamente pequeno, por conta das grandes massas envolvidas."

Os núcleos formados possuiam uma massa ligeiramente menor, mas a diferença das massas do composto original e do produto formado, quando aplicado na fórmula de Einsten, E= mc2, produziam uma energia muito grande. Uma grande descoberta científica, que infelizmente porém, foi usada na Segunda Guerra Mundial para a fabricação de bombas atômicas. Lise sabia da importância da descoberta da fissão nuclear, porém jamais imaginaria a que rumo esse conhecimento levaria.
Otto Hahn, integrado numa instituição cada vez mais nazista, é aplaudido pela descoberta da cisão nuclear. Mesmo tento sido Lise que interpretou tal fenômeno, Hahn recebeu sozinho o Prêmio Nobel de 1944 “pela sua descoberta da fissão de núcleos pesados. Enquanto isso, a situação de Lise Meitner pouco ou nada se alterou; Manne Siegbahn quase a ignora. Porém nem todos pensavam assim. Foram várias as universidades que lhe ofereceram doutoramentos honoríficos e academias de grande prestígio que a incluíram como seu membro.
Lise Mewitner retorna a Alemanha em 1949 e recebe a medalha Max Planck pela Sociedade Alemã de Física. Faleceu em 27 de outubro de 1968. Somente anos mais tarde, o papel de Lise Meitner na descoberta e interpretação da fissão nuclear foi reconhecido. Em 1982, o elemento de número atômico 109, obtido por Peter Armbruster e Gottfried Münzenberg, foi batizado de Meitnério, símbolo Mt, em sua honra.


3-    Emmy Noether


Emmy Noether, filha do matemático Max Noether, foi uma das figuras mais importantes da matemática no século passado. Nasceu na cidade de Erlangen, na Alemanha, há mais de cem anos atrás. No início do século XX, ainda não era permitida a presença de mulheres na Universidade de Erlangen. Apesar disso, Emmy conseguiu a licença para assistir as aulas nesta Universidade entre 1900 e 1902, o que ajudou com que ela passasse na Universidade de Göttingen, em 1903. No final do ano de 1904, ela retornou para Erlangen, onde obteve o seu doutoramento em matemática através da defesa de uma tese sobre a Teoria dos Invariantes.
Noether começou a trabalhar de maneira informal no Instituto de Matemática da Universidade de Erlangen, onde tinha como objeto de estudo a álgebra. Depois de um tempo, começou a dar aulas em Erlangen, porém, por seu mulher não podia receber por isso. Apesar de não possuir auxílio financeiro, em 1915 ela publica os resultados de sua pesquisa. Com os resultados dessa publicação, ela revolucionou as teorias sobre anéis e corpos. Em física, o  teorema de Noether explica a conexão fundamental entre a  simetria na física e as leis de conservação.
Seu trabalho começou a ficar reconhecido, até que em 1915 ela se muda novamente para Göttingen para auxiliar os matemáticos David Hilbert and Felix Klein em problemas relacionados sobre a Teoria da Relatividade de Einsten. O próprio Einstein elogiou seu pensamento matemático penetrante em sua carta a Hilbert em 1918, Nessa carta, o famoso físico escreve: “Ontem recebi da senhorita Noether um artigo muito interessante sobre formas invariantes. . . ela certamente sabe o que está fazendo.” A partir da década de 20 do século passado, Noether começa a segunda etapa do seu trabalho, os quais foram fundamentais na área de álgebra abstrata.
Emmy Noether foi uma matemática abstrata, original e profunda e suas contribuições foram de extrema importância para a álgebra. A abordagem desenvolvida por Noether e seus alunos ficou conhecida como a Escola de Noether. Infelizmente, Emmy morreu cedo, no ano de 1935, com apenas 53 anos de idade, devido complicações de uma cirúrgia para a retirada de um tumor.

4-    Maria Goeppert Mayer

Maria Goeppert foi uma física estadunidense nascida em 26 de junho de 1906 na Alemanha. Era filha única de Friederich Goeppert, pediatra e professor na Universidade de Göttingen. Desde criança, já assumia-se que Maria iria frequentar a Universidade quando mais velha, algo raro e incomum de se esperar das mulheres de sua época. Seu pai não queria que ela se tornasse uma dona de casa.
Aos 18 anos começou a estudar matemática na Universidade de Göttingen. Foi nesse período que Goeppert teve contato com uma área nova na física que estava em ascensão naquele período: a mecânica quântica. Em 1930 obteve o seu título de doutorado.
     Foi também no ano de 1930 que Maria casou com Joseph Mayer, também estudante na época, e então passou a assinar como Goeppert-Mayer. Eles se mudam para os Estados Unidos e Joseph começa a estudar na Universidade de Baltimore. Porém Maria não consegue um emprego nessa instituição com a desculpa que duas pessoas da mesma família trabalhando na mesma Universidade seria nepotismo. Então, Maria Goeppert-Mayer começou a trabalhar como assistente na Universidade de Baltimore. Somente em 1960 ela finalmente conseguiu uma posição no departamento de física da Universidade da Califórnia em São Diego, onde lecionava.
Goeppert-Mayer criou a primeira teoria verdadeiramente quântica para a estrutura nuclear. Foi ela quem introduziu o conceito de camadas nucleares, o qual, além de ter sido fundamental para o estudo do átomo, permitiu também entender a rotação intrínseca e propriedades magnéticas nos núcleos, conhecimento esse que é a base da ressonância magnética usada amplamente na medicina.
Maria Goeppert-Mayer recebeu o prêmio Nobel de física em 1963 junto com seu colaborador J. Hans Jensen, tornando-se a segunda mulher a receber tal honraria. A primeira foi Marie Curie.



REFERÊNCIAS
1-    Banerjee, b. Maria Goeppert Mayer. Ressonance, 2007.
2-    Emmy Noether (1882–1935) – Disponível em: http://www.ias.ac.in/womeninscience/Noether.pdf
4-    Gonçalves-Maia, R. Lise Meitner: A Intérprete da Cisão Nuclear. Rev. Virtual Quim., v.4, n.2, p. 173-192, 2012.
5-    Gingerich, o. Cecília Payne-Gaposchkin: astronomer and .astrophysycist, 1900-1980. Disponível em: http://www.harvardsquarelibrary.org/unitarians/payne2.html
6-    Horn, d. ESSAYS ON SCIENCE AND SOCIETY The Shoulders of Giants. Science, v. 280, n. 5368, p. 1354-1355, 1998.
7-    Moeckly, s.r. The Life and Work of Maria Goeppert-Mayer. Mulheres na Física: Lise Meitner.Carta ao editor. Rev. Bras. de Ensino de Física, v. 27, n. 4, p. 491-493, 2005.
8-    Weintraub, b. Lise Meitner (1878-1968): Protactinium, Fission, and Meitnerium. Disponível em: http://www.chemistry.org.il/booklet/21/pdf/bob_weintraub.pdf

quarta-feira, 8 de maio de 2013

As mulheres na ciência - parte 3


Desvendando estruturas 

Estrutura da insulina


          Biomoléculas e estruturas celulares apresentam uma estrutura química muito complexa, sendo um desafio para a comunidade científica desvendá-las. Conhecer a estrutura química de biomoléculas é de fundamental importância para entender a forma como esses compostos exercem a sua função (mecanismo de ação) e constitui uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de novas substâncias bioativas com uma melhor eficácia e baixos efeitos adversos.
        Devido a importância desse estudo, falaremos no texto de hoje sobre mulheres que contribuíram com a  elucidação da estrutura química de diferentes biomoléculas.

          Dorothy Crawfoot Hodgking: a difração de raio X e a descoberta da estrutura química de biomoléculas


Dorothy Hodking
Dorothy Crowfoot, filha do educador e historiador John Winter e Molly Crawfoot, nasceu no Egito em 12 de maio de 1910. Crowfoot relata que quando estava na escola primária, na Inglaterra, realizou um experimento de crescimento de cristais de sulfato de cobre, que a “capturou pelo resto da vida para a química e os cristais”. Vendo o interesse da filha, sua mãe a ajudou a montar um pequeno laboratório no sótão e lhe deu livros para que ela expandisse seus conhecimentos. O incentivo para os estudos que recebeu de seus pais, foi sem dúvidas, fundamental para a carreira de Crowfoot.
            Em 1928, Dorothy começou seus estudos em química na Universidade de Oxford. Foi a partir de então que a cientista começou a trabalhar com cristalografia.
            A partir desses estudos, Dorothy conseguiu determinar a estrutura química de três importantes biomoléculas: a penicilina, a vitamina B12 e a insulina. 
Estrutura química da penicilina
            A penicilina é um fármaco antimicrobiano descoberto por Alexander Fleming em 1929. É um dos antibióticos mais usados no mundo inteiro. Sua estrutura foi descoberta por Dorothy em 1945. Já em 1954, ela descobriu a estrutura da vitamina B12, substância essencial para a ocorrência de diversas reações bioquímicas necessárias para a sobrevivência dos seres humanos. A cientista também determinou a estrutura química da insulina em 1969. A insulina é um hormônio importante no armazenamento da glicose e que tem sido utilizado como agente hipoglicemiante em diversos tipos de diabetes. A descoberta da estrutura da insulina foi descrita por Dorothy como “o momento mais excitante da minha vida”. Foram 34 anos de trabalho até chegar a sua determinação. 
Em 1947, aos 37 anos, tornou-se Fellow of the Royal Society (equivalente à Academia de Ciências), a maior honraria científica na Inglaterra.
     No ano de 1964, ganhou sozinha o Prêmio Nobel de Química por “suas determinações, usando técnicas de difração de raios X, das estruturas de importantes substancias bioquímicas”.
        Como já citado anteriormente, é de fundamental importância conhecer a estrutura química de biomoléculas para entender a forma como elas agem no nosso organismo. Assim, ao descobrir a estrutura química dessas moléculas, Dorothy Crowfoot Hodking nos deixou uma importante contribuição científica.

  
      Rosalind Franklin e a importância dos seus estudos para a descoberta feita por Watson e Crick

Rosalind Franklin foi uma biofísica britânica de origem judia que trabalhou com difração de Raio-X. Entrou para a Universidade de Cambridge em 1938, graduando-se em físico-química em 1941.  
Rosalind Franklin
Logo após, iniciou seus estudos de doutorado, onde trabalhou com as mudanças estruturais do carbono. Seu trabalho foi fundamental na área de “Microestruturas do carvão e do grafite”, a qual serve como base para o desenvolvimento de fibras de carbono. Cinco de seus trabalhos ainda são citados atualmente.
Foi convidada para trabalhar com difração de Raio-X no Laboratório Central dos Serviços Químicos em Paris, onde dirigiu um grupo na área de cristalografia de raios X dos materiais de carbono. Após 3 anos, retornou a Londres e começou a trabalhar no King’s College London, onde realizou pesquisas aplicando as técnicas de raio X com o DNA. Porém, nesse mesmo laboratório, o cientista Maurice Wilkins já estava trabalhando com essa mesma biomolécula, o que gerou um conflito entre os dois, criando um ambiente de trabalho hostil e competitivo.
Em seus estudos, Rosalind montou um equipamento de difração de raios X, com o qual obteve imagens de DNA com qualidade cada vez maior. Já em 1951, apresentara uma comunicação na qual sugeria que os grupos de fosfato desta molécula estariam na parte externa da hélice. Em 1952, produzira uma evidência que indicava a estrutura heleicodal. Também descobriu que o DNA se apresentava de duas formas: uma forma seca, chamada de forma A e uma forma mais hidratada chamada forma B.
A famosa de Franklin, da estrutura
da  forma B do DNA. 
Ao mesmo tempo, Watson e Crick também estudavam a estrutura do DNA. Através de Wilkins, esses dois cientistas tiveram acesso aos dados experimentais de Franklin, sem o consentimento dela.
Em 1953, Watson e Crick publicaram seu famoso artigo, onde descrevem que a estrutura do DNA é em dupla-hélice e ainda, propuseram um esquema de replicação da molécula de DNA. Essa foi uma das descobertas mais importantes do século XX, e rendeu a Watson e Crick o Prêmio Nobel, porém nenhum dos dois mencionou o nome de Rosalind Franklin.
Segundo Watson, Rosalind não teria nenhuma inclinação teórica para a representação helicoidal da molécula e não saberia interpretar suas próprias evidências. Tal afirmação é extremamente falaciosa, pois como já citado anteriormente, Rosalind já havia sugerido que a estrutura do DNA econtra-se na forma de hélice. 
Watson e Crick
 Já para Crick, ela não era uma cientista muita imaginativa, e suas escolhas metodológicas a impediam de tentar descobrir algo sobre a estrutura do DNA sem utilizar muita experimentação. Porém, o próprio Crick reconheceu mais tarde que Rosalind provavelmente teria chegado à estrutura do DNA (o emparelhamento das bases) “uns dois meses depois deles”.
A estratégia de desqualificar a cientista, dizendo que ela escolheu o método errado foi adotada por muitos historiadores da ciência. Alguns afirmam ainda que Watson e Crick, além de terem adotado o método correto, sabiam da importância do DNA para a genética. A seguinte pergunta é sempre recorrente: “se Rosalind tinha evidências da estrutura heleicodal do DNA, porque ela não divulgou esses resultados?” Ela tinha evidências da estrutura do DNA na forma B. O objetivo do seu trabalho era estudar as formas do DNA a partir da difração de raio X, e como ela ainda não havia conseguido estudar a forma A, não haveria sentido ela publicar um trabalho com apenas uma das formas. A cientista preferiu ser mais cautelosa e esperar obter mais dados experimentais.
Mas porque Watson e Crick puderam publicar esses resultados? Porque o objetivo do trabalho deles era outro. Os dois cientistas visavam fornecer explicações a respeito da função genética da molécula. Watson e Crick, apesar de trabalharem com o mesmo objeto de estudo de Rosalind, tinham objetivos diferentes dos dela. E de maneira nenhuma isso pode ser interpretado como melhor ou pior. Afinal de contas, os dados experimentais de Rosalind Franklin foram importantes para que ambos chegassem na correta estrutura do DNA.


Ada Yonath e a estrutura do ribossomo

Ada Yonath nasceu em 1939 em Jerusálem. Era de uma família de baixa renda, mas apesar da falta de estudo e de condições financeiras de seus pais, eles se esforçaram para que ela estudasse em um dos melhores colégios de Jerusálem. 
Ada Yonath
Yonath estudou na Universidade Hebraica de Jerusálem, onde concluiu seus estudos de graduação e mestrado em química, bioquímica e biofísica, tendo concluído o seu doutorado no Instituto Weizmann, onde trabalhou com a estrutura do colágeno. Fez o pós-doutorado no Instituto Mellon, em Pittsburgh e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e ao final dos seus estudos, na década de 70, retornou Instituto Weizmann. Lá, a cientista criou o primeiro laboratório de cristalografia biológica em Israel, que por quase uma década foi o único laboratório para tais estudos.
Foi nesse período que Ada Yonath começou a se dedicar ao estudo da estrutura tridimensional do ribossomo, grânulos livres imersos nas células, responsáveis pela síntese de proteínas a partir da informação fornecida pelo código genético. Determinar a estrutura do ribossomo era um desafio para a comunidade científíca. Além de possuir uma complexa estrutura química, o ribossomo é formado por duas unidades assimétricas: 30S e 50S. Outra dificuldade encontrada ao se trabalhar com essa estrutura é que ela degrada facilmente. Por esse motivo, as pesquisas de Yonath foram recebidas com reações de incredulidade e foram até mesmo ridicularizadas na comunidade científica internacional.
Apesar das dificuldades desta pesquisa, Yonath publicou nos 2000 e 2001, a estrutura tridimensional completa das duas subunidades do ribossomo. Esse árduo trabalho de mais de 20 anos, rendeu a Ada Yonath o Prêmio Nobel em Química em 2009, juntamente com Venkatraman Ramakrishnan, Thomas A. Steitz. Ada Yonath foi a quarta mulher a receber o Prêmio Nonel em Química. 
Tal descoberta forneceu um maior entendimento da função desta estrutura celular tão importante para a manutenção da vida. Ainda em 2001, Yonath também publicou um artigo na Nature onde foi revelado o mecanismo de ação de quase todos os antibióticos que agem no ribossomo. Assim conhecer a estrutura tridimensional do ribossomo foi importante para a descoberta do mecanismo de ação de antibióticos que agem sobre eles e impedem a síntese proteica dos microorganismos.
O conhecimento acerca do mecanismo de ação de tais moléculas ajuda no desenvolvimento de fámacos mais eficientes, além de fornecer novas ferramentas na luta contra a resistência das bactérias aos antibióticos, um dos maiores desafios do século XXI.
O trabalho de Ada Yonath ainda continua, agora com novas perguntas a serem respondidas. Como eles começam a produzir proteínas? Como é que eles evoluíra, para as sofisticadas fábricas de proteínas que vemos hoje em células vivas? Adah Yonath e sua equipe pretendem responder essas perguntas em seus próximos trabalhos.




REFERÊNCIAS

1-    ARIAS, G. Em 1953 foi descoberta a estrutura do DNA Etapas de um grande avanço científico. Documentos online – Embrapa, 2004.

2-    HODKING, D.C. Autobiography. Disponível em: http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/1964/hodgkin-bio.html.

3-    MADDOX, B. The double helix and the ‘wronged heroine. Nature, v. 421, n. 23, 2003.

4-    SILVA, M.R. As controvérsias a respeito da participação de Rosalind Franklin na construção do modelo da dupla hélice. Scientiæ studia, v. 8, n. 1, p. 69-92, 2010.

5-    SILVA,M.R. Rosalind Franklin e seu papel na construção do modelo da dupla hélice do DNA. Filosofia e História da Biologia, v. 2, p. 297-310, 2007.

6-    VARGAS, M.D. A contribuição de Marie Curie para a ciência e um olhar sobre o papel das mulheres cientistas. Ciclo de Conferências Ano Internacional da Química. Acesso em 03-04-13.

7-    YONATH, E.A. Autobiography. Disponível em: “http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2009/yonath.html. Acesso em: 17/04/2013.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Mulheres na Ciência - Parte 2

Dando continuidade ao texto- Mulheres na Ciência, hoje falaremos sobre Marie e Irène Curie. 



As contribuições das Curie



1-    A primeira Curie

Marie Curie


Marie Slodowska Curie talvez seja a mulher mais conhecida dentro da ciência. Foi a primeira mulher a ganhar prêmio nobel, a primeira pessoa a ganhar dois prêmios nobel (física e química), a primeira mulher a concluir o doutorado e foi a primeira professora da Universidade de Sorbonne. Seus estudos sobre a radioatividade apresentaram uma enorme contribuição nos campos da medicina, química, arqueologia, na indústria alimentícia, e entre outras areas.
Marie Curie (1867-1934), filha caçula do casal Ronsilawa Boguska (pianista, cantora e professora) e Wladyslaw Sklodowski (professor de matemática e física), nasceu em 1867 na cidade de Varsóvia (Polônia). Concluiu sua instrução secundária aos 16 anos e trabalhou como professora particular até 1891, quando se mudou para Paris e começou a seguir as aulas de Paul Appel, Gabriel Lippmann e Edmond Bouty, na Sorbonne. Formou-se em Ciências físicas em 1893 e Ciências matemáticas em 1894. Foi em 1894 também, que ela conheceu Pierre Curie, com quem casou em 1895. Marie e Pierre trabalharam juntos até 1906, quando Pierre veio a falecer atropelado
Para entender a importância das contribuições de Marie Curie para o estudo da radioatividade, é interessante compreender as descobertas científicas que ocorreram nessa época.
No ano de 1895, ao investigar a conjectura de Henri Poincare acerca da relacão entre a emissão de raios X e a luminescência, Henri Becquerel observou que um minério de urânio, composto reconhecidamente não luminescente, era capaz de escurecer um filme fotográfico. O físico havia posto na gaveta da escrivaninha de seu laboratório amostras de um mineral, uma cruz de cobre e uma placa fotográfica, todos embrulhados. Quando Becquerel resolveu revelar o filme, uma semana mais tarde, notou a marca da cruz impressa sobre a placa fotográfica. Como a amostra do mineral possuía o elemento químico urânio, Becquerel chamou seus raios de “raios urânicos”. O cientista interpretou esse fenômeno como um tipo de luminescência invisível e que era exclusivo do urânio, podendo ter sido esses os motivos do esgotamento do seu interesse no assunto.
O estudo de Marie Curie começou em 1897, quando ela resolveu dar início a uma pesquisa para a obtenção do título do doutorado em física. O tema do seu trabalho foi o estudo das radiações do urânio através do método elétrico, tendo sido descrito como uma busca sistemática por outros elementos, que fossem capazes de emitir radiações semelhantes. A técnica elétrica foi escolhida pois ela permitia obter resultados mais rápidos do que o método fotográfico. Como ela não pertencia a nenhuma instituição científica na época, o diretor da escola, Charles Schützenberger, autorizou Marie a utilizar um canto de uma sala que servia de casa de máquinas e depósito.
No decorrer do seu estudo Marie Curie examinou diversos minerais contendo urânio e diferentemente do que se esperava, observou que a corrente elétrica produzida pela pechblenda e pela calcolita era maior que a do urânio metálico puro. Assim, Marie Curie passou a suspeitar que esses minerais possuiam alguma outra substância, além do urônio, que emitia radiações. Foi assim que Madame Curie observou que o tório também emitia radiações semelhantes ao urônio. Ainda, os Curie descobriram novos elementos com essas mesmas características, o polônio (que recebeu esse nome em homenagem ao país de origem de Marie) e o rádio, que veio consolidar a radioatividade. Já no seu primeiro artigo, Marie Curie apresenta a hipótese da natureza atômica da radiação, inovação que guiou suas pesquisas posteriores
Marie Curie enfrentou dificuldades para publicar suas conclusões, pois a Academia de Ciências só editava trabalhos que fossem apresentados por membros, e entre eles, não aceitava mulheres. Essa primeira nota foi apresentada à Academia de Ciências por seu antigo professor, Gabriel Lippman.
Em 1903, os Curie e Henri Becquerel receberam o prêmio nobel em física. Ao último foi reconhecida a descoberta da radioatividade natural, e ao casal Curie foram reconhecidos "os extraordinários serviços que prestaram com a sua investigação conjunta sobre os fenómenos da radiação descoberta pelo Professor Henri Becquerel". É importante destacar que mesmo o trabalho que sendo de Marie Curie, foi necessário que Pierre se recusasse a receber o prêmio sozinho para que a comissão reconhecesse a contribuição de Marie na área de radioatividade.
Apesar de ser uma das laureadas, no discurso de entrega do prêmio, feito por um representante da Academia de Ciências sueca, a cientista foi tratada como uma mera assistente de pesquisa dos outros dois vencedores. Palavras do dr. Törnebladh,o representante da academia:

“O grande sucesso do professor e Madame Curie [...] faz-nos ver na palavra de Deus que há uma luz totalmente nova: não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. (apud Goldsmith, 2006, p. 96)

Os fatos acima citados mostram como houveram resistências à inserção das mulheres na ciência.
Marie Curie continuou seus estudos sobre a radioatividade e em 1911 foi laureada com o prêmio nobel da Química "em reconhecimento pelos seus serviços para o avanço da química, pela descoberta dos elementos rádio e polónio, pelo isolamento do rádio, e pelo estudo deste elemento notável e dos seus compostos" (Nobelprize.org). O nobel de química foi cedido a Marie Curie no mesmo ano em que a Academia de Ciências de Paris a rejeitou como sócia.
A partir de 1922, Curie direcionou suas pesquisas ao estudo da química de substâncias radioativas e das aplicações médicas destas substâncias, área onde obteve muito sucesso
Quando usada adequadamente a radioatividade pode trazer benefícios para o homem, por exemplo, através da radioterapia, que teve origem na aplicação do elemento rádio por Marie Curie, para destruir células cancerosas. Em 1926, Marie Curie e sua filha Irene (também cientista e ganhadora do prêmio nobel) visitaram o Instituto do Câncer de Belo Horizonte. Na oportunidade, Marie Curie e sua filha Irene, proferiram, na Faculdade de Medicina, uma conferência sobre a radioatividade e suas aplicações na medicina
Além de constituir uma importante ferramente no combate ao câncer, a radioatividade é amplamente usada na química, arqueologia, na indústria alimentícia, e entre outras areas
Em uma época onde questionava-se o direito das mulheres de frequentarem universidades, Marie Curie quebrou paradigmas e deu um grande passo para a abertura da ciência às mulheres, além de ter deixado uma importante contribuição para a humanidade.

2-    Curie filha


Irène Curie



Irène Curie, filha de Pierre e Marie Curie cresceu em ambiente intelectual efervescente, propociado não apenas pelos seus pais, mas também pelos amigos deste, como Jean Perrin e Paul Langevin, que trabalhavam em física atômica.
Antes de iniciar na Universidade, trabalhou como enfermeira na Primeira Guerra Mundial, ajudando sua mãe a manusear o equipamento para tirar radiografias. Enquanto trabalhava com a sua mãe, conheceu outro assistente, Frederic Joliet que também trabalhava para Marie Curie. Irène e Frederic se casaram e trabalharam juntos por muitos anos.
       Irène realizou seus estudos na Sorbonne, onde em 1937 tornou-se professora. Dois anos antes, já havia ganhado, juntamente com Frederic, o Prêmio Nobel em química “em reconhecimento por sua síntese de novos elementos radioativos”. Os dois haviam sintetizado um isótopo radioativo de fósforo, inexistente na natureza, através do bombardeamento do alumínio com partículas alfa. Também produziram diversos trabalhos de fissão nuclear de elementos pesados. Ainda, trabalhou junto com a sua mãe no Instituto de Rádio, tornando-se diretora em 1946.
Como a mãe, Irène lutou pelos direitos da mulher, tendo também colaborado com movimentos anti-fascistas e trabalhado com associações pacifistas organizadas por mulheres.
Morreu de leucemia aos 59 anos, devido a alta exposição à radioatividade à qual ficou submetida durante anos
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REFERÊNCIAS


1 - ANDRÉ, J.P.; SÁ de A. Radioisótopos e sociedade: o legado de Marie Curie 100 anos depois. Química, 2011.

2 - CORDEIRO, M.D.; PEDUZZI, L.O.Q. Aspectos da natureza da ciência e do trabalho científico no período inicial de desenvolvimento da radioatividade. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 33, n. 3, 2011.

3 - FARIAS, R.F. As mulheres e o Prêmio Nobel de Química. Química Nova na Escola, v., 14, 2001.

4 - GLEISER, M. - A dança do Universo – Dos mitos de criação ao Big Bang; Editora Companhia das Letras SP (1997).
           
5- IRÈNE JOLIOT-CURIE. Disponível em:http://faculty.cua.edu/may/Joliot-Curie.pdf” Acesso em: 10-04-13.

6 - LEVADA, C.L.; MACETI, H; Lautenschlegue, I.J. Madame Curie: a pioneira da ciência moderna. Ágora: Revista eletrônica, ano VII, nº 13, p. 18-23, 2011

7 - MARTINS, R. De A. AS PRIMEIRAS INVESTIGAÇÕES DE MARIE CURIE SOBRE ELEMENTOS RADIOATIVOS. Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/server/PDF/curie-a1.pdf. Acesso em: 05-04-13.

8 - NETO, M.; MOTA B. A outra Curie: Irène Curie. Dicionário de Biografias, Porto Editora, Porto, Setembro de 2001.

9 - Pugliese, G. Um sobrevôo no “Caso Marie Curie”: um experimento de antropologia, gênero e ciência. Rev. de antropol., v. 50, nº 1, 2007.

10 - SOARES, T.A. Mulheres em ciência e tecnologia: ascenção limitada. Quim. Nova, v. 24, n. 2, p. 281-285, 2001.

11 - VARGAS, M.D. A contribuição de Marie Curie para a ciência e um olhar sobre o papel das mulheres cientistas. Ciclo de Conferências Ano Internacional da Química. Acesso em 03-04-13.

E ainda recomendamos que vocês assistam o filme Madame Curie. Tem no youtube completo e legendado. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Desrespeito à laicidade em Curitiba


Nas últimas semanas, Curitiba têm-se deparado com casos de desrespeito a laicidade.
Na segunda-feira do dia 15 de abril, a Presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores, vereadora Carla Pimentel (PSC), propôs que o pastor Silas Malafaia seja homenageado com o título de cidadão honorário.
Tal proposta não agradou grande parte da população curitibana, já que o pastor é conhecido por suas declarações homofóbicas, as quais agridem os direitos humanos e incitam a intolerância. O pastor usa o fato de possuir graduação em psicologia para defender a cura aos homossexuais, prática proibida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). O próprio CFP emitiu esse ano uma nota de repúdio às declarações de Malafaia, considerando-as uma agressão “a perspectiva dos Direitos Humanos a uma cultura de paz e de uma sociedade que contemple a diversidade e o respeito à livre orientação – objetos da atuação da Psicologia”.
Permitir a entrega de um título como esse a um cidadão que em nome da sua liberdade de expressão quer restringir a dos outros, é uma afronta não somente aos curitibanos, mas a toda população brasileira.
A segunda notícia é que a prefeitura de Curitiba irá doar em torno de R$ 40.000 reais para a Marcha de Jesus que ocorrerá na capital no dia 18 de maio!!!  A Emenda Orçamentária Aditiva, de iniciativa da vereadora Noemia Rocha (PMDB) foi aprovada no dia 11/12/2012. Esse dinheiro será destinado para hospedar e transportar “artistas” contratados por igrejas organizadoras. Mas será que já não basta a imunidade tributária das igrejas?
Diversos grupos da cidade estão planejando uma manifestações contra esses casos. A ideia é que ela ocorra do dia em que acontecerá a pauta que irá votar a respeito do título de cidadão honorário. A data ainda não está definida, pois ainda não sabemos quando essa pauta irá ser votada. Para quem estiver em Curitiba e tiver interesse em participar, é só ficar de olho na página da Aliança Estudantil Secular- Curitiba no facebook.
É importante deixar claro que a nossa indignação não é contra essa ou aquela religião, em nenhum dos dois casos. Porém, para que a liberdade de expressão exista, as infrações à laicidade não devem ser permitidas.

As mulheres na Ciência - Parte 1



Dando continuidade ao texto- Mulheres na Ciência, hoje falaremos sobre Hipátia. 


Hipátia:a grande filósofa, matemática e astrônoma da antiguidade


Hipátia de Alexandria


Hipátia (ou Hipácia) foi uma filósofa, matemática e astrônoma nascida em torno de 355 a 370 d.C. em Alexandria (atual Egito) na época do Império Romano. Foi a primeira matemática que se tem registro na história.
Era filha de Teon de Alexandria, famoso filósofo, astrônomo e mestre de matemática no museu desta cidade. Teon garantiu que Hipátia tivesse acesso a eduacação, permitindo que ela desenvolve-se não apenas suas habilidades em matemática e astronomia, mas também, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido
A matemática cursou a Academia de Alexandria e viajou para a Itália e Atenas, onde realizou cursos na Escola Filosófica, dirigida por Tesmitius, Plutarco e Asclepigenia. Também assistiu as aulas de Plutarco sobre Aristóteles e Platão. Ao retornar para Alexandria, começou a lecionar matemática na Academia onde havia estudado, tornando-se uma respeitável professora. Ao completar 30 anos, Hipátia já atingira o posto de diretora desta escola e era a mais importante filósofa da escola platônica em Alexandria.
Pouco sabemos sobre o seu trabalho, pois pouco chegou até nós. Graças a um de seus alunos, o filósofo e bispo Sinésio de Cirene (370 - 413), sabemos que Hipátia desenvolveu alguns instrumentos usados na física e na astronomia, entre os quais o hidrômetro e o astrolábio. Também desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto e escreveu um tratado sobre o assunto, além de comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu e Euclides. Diversos matemáticos escreviam-lhe pedindo soluções para problemas e raramente ela os desapontava. Hipátia gostava muito do processo de demonstração lógica. 
           A grande professora de Alexandria teve um fim trágico. No ano de 415 d.C., Hipátia fora brutalmente assassinada por um grupo de cristãos. Ela foi arrancada da carruagem onde estava e teve as roupas rasgadas. Foi arrastada nua para a igreja e lá foi desumanamente massacrada com ostras afiadas.
Especula-se que a sua morte foi vingança pelo assassinato do monge cristão Amónio, executada a mando do prefeito de Alexandria, Orestes. Tal morte enfureceu o bispo Cirilo, o então patriarca de Alexandria. Hipátia teria sido escolhida devida a influência política que exercia sobre o prefeito. Outra hipótese para o seu assassinato foi que Hipátia era odiada por pessoas que não aceitavam a sua postura e ensinamentos científicos. Sua morte também acbou virando o marco do fim da era da matemática em Alexandria.
Sobre Hipátia, o historiador Grego Sócrates, o Escolástico escreveu (em história Eclisiática):

Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Téon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos da época. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe receber os ensinamentos.
           
  Em Cosmos, Carl Sagan escreveu:
            
"Hipátia distinguiu-se na matemática, na astronomia, na física e foi ainda responsável pela escola de filosofia neoplatônica - uma extraordinária diversificação de atividades para qualquer pessoa daquela época. Nasceu em Alexandria em 370. Numa época em que as mulheres tinham poucas oportunidades e eram tratadas como objetos, Hipátia moveu-se livremente e sem problemas nos domínios que pertenciam tradicionalmente aos homens. Segundo todos os testemunhos, era de grande beleza. Tinha muitos pretendentes mas rejeitou todas as propostas de casamento. A Alexandria do tempo de Hipátia - então desde há muito sob o domínio romano - era uma cidade onde se vivia sob grande pressão. A escravidão tinha retirado à civilização clássica a sua vitalidade, a Igreja Cristã consolidava-se e tentava dominar a influência e a cultura pagãs."

As seguintes frases são atribuídas à Hipátia:

“Reseve o seu direito a pensar, mesmo pensar errado é melhor do que não pensar.”
“Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além.”
“Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força.”

Hipátia teve destaque em uma época onde eram raras as mulheres que tinham acesso a educação, deixando claro que os fatores que contribuíram para uma menor participação das mulheres na ciência devem ser atribuídos a questões sociais, e não biológicas. Apesar de sua importância inquestionável, pouco se houve falar nela atualmente, já que seus trabalhos foram distruídos. Porém, a sua história continua viva e é importante que ela seja passada a diante.


REFERÊNCIAS: 

1-    http://www.infoescola.com/biografias/hipatia/. Acesso em: 11-04-13.
4-    SAGAN, C. Cosmos. 1980.

Para saber mais:

SÓCRATES DE CONSTANTINOPLA:Historia eclesiástica
Filme: Ágora.